O que é Dissonância Cognitiva

As pessoas costumam gostar de ver consistência entre os seus pensamentos, sentimentos e comportamentos. Quando está tudo consistente, está tudo bem, mas quando alguma inconsistência é percebida, como alguém que fuma sabendo que isso lhe fará mal, a dissonância cognitiva dispara e o clima fica pesadão.

A dissonância cognitiva é um desconforto que você vive quando percebe uma inconsistência entre suas cognições ou ações.Você pode ter duas idéias na cabeça que não casam muito bem ou se comportou de um jeito incoerente com suas crenças. Muita gente fuma cigarro, por exemplo, mesmo ouvindo de toda parte que faz muito mal à saúde. Por que alguém continuaria fazendo algo ruim pra si mesmo e que aumenta as suas chances de desenvolver várias doenças? Se você se considera alguém que toma boas decisões, sabe que cigarro faz mal e mesmo assim fuma, volta e meia a dissonância deve bater na sua porta, já que assim haveria uma inconsistência lógica entre sua visão de que é alguém que toma boas decisões e também é alguém que consome algo que faz muito mal.

Como é desconfortável sentir um desconforto, a nossa tendência é tentar reduzir a dissonância cognitiva rapidinho e na maciota. Que nem quando você sente o desconforto da fome e vai procurar comida? Mais ou menos por ai. Existem três formas básicas de reduzir essa agonia dilacerante conhecida como dissonância: você pode mudar o comportamento discrepante com a cognição, mudar a sua cognição dissonante ou adotar uma nova cognição para justificar o seu comportamento. No caso do cigarro, a decisão mais racional seria parar de fumar, mas sabemos que essa não é a decisão tomada por milhares de pessoas. Já falamos antes sobre como seres humanos tem muito mais fama de racionais do que fazem por merecer. Na hora de fumar um cigarro, a criatividade da mente humana costuma dar de 10 a 0 na racionalidade.

Se você acha que as pessoas tendem a preferir criar justificativas para o seu hábito de fumar do que parar de fumar você está redondamente… Certo! Como as pessoas amam justificar suas ações, né? Algumas cognições úteis nessa hora são: “eu não fumo tanto”, “mas é bom, me deixa relaxado”, “as pessoas exageram os prejuízos”, “eu compenso comendo bem e fazendo exercícios físicos”, “tem muita gente fumando que não está morrendo”. As possibilidades são quase infinitas, tem justificativa pra todo gosto, tamanho e necessidade. Quanto mais viciada a pessoa for e mais tiver tentando sem sucesso parar de fumar, mais justificativas vão sendo forjadas para manter tudo em harmonia dentro da cabeça da pessoa. Formular justificativas convenientes pode parecer ruim, mas na verdade isso pode ajudar a lidar com frustrações. Se você está tendo problemas com esse tipo de assunto entre nesse link.

Isso fica claro no viés de impacto que é a nossa tendência de achar que o nosso sofrimento em uma situação negativa futura será muito maior do que realmente acaba sendo. Nessas horas, a dissonância costuma dar uma boa forçinha, mas como ela é um processo mais inconsciente, quase nunca nos damos conta ou lembramos que ela nos socorrerá rapidinho. Talvez você sofra mesmo por muito tempo depois de ter ido à uma entrevista de emprego dos seus sonhos e não ter ganhado o emprego. Mais provável é que você distorça os acontecimentos para diminuir a dissonância e se sentir bem consigo mesmo, culpando o entrevistador pela sua reprovação ou concluindo que você nem queria aquela vaga mesmo. A dissonância também pode te ajudar a agir de forma mais racional. Ao invés de tentar lidar com o desconforto recorrendo a justificativas quase automáticas na sua cabeça, você pode tentar perceber que cognições ou comportamentos estão conflitantes e o que seria mais inteligente fazer. Por exemplo, se você acredita que devia estar se exercitando regularmente, mas você quase nunca age assim, isso pode lhe trazer uma dissonância cognitiva, já que você não está fazendo o que acha que devia estar fazendo. Ao perceber isso, você pode mudar o seu comportamento de propósito e começar a praticar mais exercícios aos poucos ao invés de sair correndo atrás de  alguma justificativa que te ajude a se conformar com o seu sedentarismo. É muito fácil e conveniente se convencer de que você não tem tempo para essas coisas, prefere ficar em casa assistindo Netflix ou que você vai começar semana que vem, difícil é tomar a iniciativa de cuidar da sua saúde por mais racional que isso seja. Muitos vão se dar por satisfeitos depois que acharem uma justificativa conveniente para o próprio comportamento mesmo que ele seja prejudicial. Por isso, quando tiver a sua próxima dissonância cognitiva e sentir o impulso de aceitar qualquer justificativa barata, se esforce em dobro para que a sua racionalidade fale mais alto.
psicologaemcuritiba.com

Navigation