Explicando a Consciência.

Quando o assunto é consciência, o quebra pau é feio entre psicólogos, neurocientistas e filósofos. É discordância pra todo lado por causa desse porco espinho teórico que ninguém entende muito bem ainda.

A consciência é aquela coisa que todo mundo sente, mas ninguém sabe explicar como funciona ou porque temos consciência. Outra dificuldade é que existem quase tantas definições do que é consciência quanto existem pessoas falando dela.

Geralmente ela é vista como a experiência de estar ciente de algo, tal como o ambiente à sua volta, você mesmo, os seus pensamentos ou sentimentos. Existem diferentes aspectos da consciência, tais como o conteúdo consciente e o estado de consciência. O conteúdo consciente envolve as informações das quais você está consciente em um determinado momento. Já o estado de consciência varia desde uma total inconsciência, como ocorre no coma, até a vigília alerta que você exibe quando está bem concentrado em algo. Quando alguém entra em coma, a pessoa não está desperta e nem exibe percepção consciente. O estado vegetativo é uma condição um pouco menos grave que o coma na qual a pessoa pode estar desperta em algum nível, mas sem percepção consciente das coisas. Alguns estudos têm mostrado que, embora a maioria dos pacientes vegetativos não apresentem sinais de consciência, alguns podem fugir um pouco dessa regra quando alguns truques científicos são usados. Em um estudo, foi pedido a um paciente em estado vegetativo que ele respondesse a uma série de perguntas simples, como por exemplo e o nome do pai dela era Thomas. Pra responder, o paciente devia pensar que estava jogando tênis caso a resposta fosse “sim” ou pensar que estava andando pela sua casa se a resposta fosse “não” para cada pergunta feita. O cérebro do paciente foi escaneado durante o estudo e os cientistas já sabiam que áreas deveriam ficar mais ativas se o paciente estivesse pensando que estava jogando tênis ou andando pela sua casa. Apenas com base na atividade cerebral do paciente, percebeu-se que ele foi capaz de responder corretamente as perguntas, o que mostrou que dentro daquele corpo imóvel ainda existia algum nível de consciência capaz de compreender e raciocinar. Ainda não entendemos muito bem o porquê temos consciência, mas uma teoria dentre várias que já foram propostas sugere que ela surgiu da nossa necessidade de entender as outras pessoas. Nossa espécie viveu em grupos menores de caçadores-coletores na maior parte do tempo em que existiu. Nesse contexto, entender, prever e influenciar o comportamento dos outros deve ter sido bem vantajoso e a consciência poderia ajudar nisso por permitir a integração de vários tipos de informação e que o nosso pensamento vá além da situação atual. A consciência nos permite refletir sobre eventos passados ou planejar ações futuras. Inclusive cerca de 30% dos pensamentos conscientes das pessoas não costumam estar ligados ao presente, mas sim ao passado ou ao futuro. Parece claro para os cientistas que a consciência resulta do funcionamento do cérebro, mas como exatamente isso acontece ainda não é tão claro. O córtex pré-frontal e o córtex cingulado anterior são partes do cérebro ligadas à consciência. Quando raciocinamos ou pensamos de forma consciente sobre algo, essas áreas costumam ficar mais ativas, assim como algumas outras. Isso indica que elas tem algum papel no pensamento consciente, resta entender melhor qual ou quais são esses papéis.

O tálamo também é importante e danos nele podem levar alguém ao coma, embora o coma também possa ser induzido de outras formas. No final das contas, nenhuma parte isolada do cérebro parece ser a única responsável pela consciência. A consciência é ao mesmo tempo um dos fenômenos mais familiares e menos compreendidos por nós, mas, se depender dos cientistas, o mistério em torno desse tema deve se tornar cada vez menor.
https://super.abril.com.br/ciencia/o-que-e-a-consciencia-humana/

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